Durante o processo de
conquista, que envolveu a catequização
de índios pelos jesuítas, os portugueses
aliaram-se a comunidades indígenas que habitavam
a região de São Vicente e de São
Paulo de Piratininga como Tupiniquins e Guaianazes.
Os portugueses e seus aliados passaram a invadir aldeias
e escravizar índios de outras comunidades, utilizando-os
como mão-de-obra escrava.
Ao serem atacados, os
índios Tupinambás e de outras comunidades
organizaram-se e formaram a "Confederação
Tamuya" (da antiga língua Tupi, o Tupi arcaico,
origem da língua Tupi-Guarani, que significa:
o mais antigo, os primeiros e verdadeiros donos da terra)
ou, como é conhecida hoje, Confederação
dos Tamoios (na língua indígena não
existe o plural e o uso do "s" como na língua
portuguesa), passando a enfrentar os portugueses. "A
Confederação foi, então, a união
dos índios verdadeira donos da terra".
Em 1563, jesuítas
fundadores e administradores de colônias da Corôa
Portuguesa (Império e Governo de Portugal Quinhentista):
Pe. Manuel da Nóbrega e o noviço José
de Anchieta vieram como "embaixadores" (astuciosos
diplomatas) negociar a paz entre portugueses e os líderes
da Confederação dos Tamoios: índios
Tupinambás, na Aldeia Iperoig. Era urgente que
se fizesse à paz antes que os indígenas
confederados, mais de três mil guerreiros, invadissem
os povoados e aldeias portuguesas. O Padre Nóbrega
retomou para Bertioga com o Chefe da Confederação,
o Cacique Cunhambebe. Anchieta ficou como refém,
iniciando seu famoso Poema á Virgem, até
a concretização do acordo ou tratado oficial
de paz, o primeiro do Brasil, firmado em 14 de setembro
de 1563, batizado como Tratado de Paz de Iperoig.
Com a paz firmada, o
Governador Geral do Rio de Janeiro, Salvador Corrêa
de Sã e Benevides, tomou providências para
colonizar a região desde o Rio Juqueriquerê,
entre São Sebastião e Caraguatatuba, municípios
do atual Estado de São Paulo, até Cabo
Frio, no atual Estado do R. J. Essas terras na época
pertenciam a Capitania de São Vicente. Benevides
enviou tropas de soldados que expulsaram os franceses
(antigos aliados dos Tupinambás) do Rio de Janeiro,
acabando com a sua colônia França Antártica,
e tropas de soldados que atacaram e destruíram
as aldeias Tupinambás como a de Iperoig, traindo
o acordo de paz. Concedeu sesmarias aos primeiros colonizadores
portugueses como lnocêncio de Unhate, Miguel Gonçalves,
Capitão Gonçalo Correa de Sã, Martim
de Sã, Belchior Conqueiro e a Jordão Homem
Albernaz da Costa, sesmeiro que pleiteou a emancipação
político-administrativa do povoado de Ubatuba.
O povoado foi emancipado
e elevado à categoria de Vila com o nome de Vila
Nova da Exaltação à Santa Cruz
do Salvador de Ubatuba, tendo como fundador Jordão
Albemaz Homem da Costa, português da Ilha Terceira,
promovido a loco-tenente e capitão-mor. Foram
construídas a Câmara, a Cadeia e a Igreja
dedicada a Nossa Sra. da Conceição em
terras doadas pela sesmeira D. Maria Alves por ordem
e autorização do Governador Geral do Rio
de Janeiro, em 28 de outubro de 1637. Autorização
mantida e confirmada pela Condessa de Vimieiro, D. Mariana
de Sousa Guerra, donatário da Capitania de Itanhaém
(ex São Vicente), da qual faziam parte as sesmarias
da região de Ubatuba (do Rio Juqueriquerê,
em Caraguatatuba, até a região de Cabo
Frio), em 27 de agosto de 1638. A Condessa de Vimieiro
também promoveu Jordão da Costa a ouvidor.
Os povoadores se instalaram
ao longo da costa, utilizando o mar como meio de transporte
(canoas de voga, as longas canoas de um tronco só)
e praticaram uma agricultura de subsistência com
o auxílio de poucos escravos indígenas.
A "pobreza" enfrentada pelos primeiros povoadores
da região permaneceu até o final do séc.
XVIII época da descoberta de ouro nas Minas Gerais.
Com o início da lavoura da cana-de-açúcar,
passaram a exportar açúcar e aguardente
(pinga) em tonéis de madeira, além de
farinha de mandioca e outros alimentos para o abastecimento
da região das Minas.
Em 1787, o presidente
da Província de São Paulo, Bemardo José
de Lorena, através de um Édito (Lei) decretou
que todas as embarcações com mercadorias
a serem exportadas do litoral paulista seriam obrigadas
a descarregar no porto de Santos, onde os preços
obtidos pelas mercadorias eram mais baixos. A partir
do Édito de Lorena, Ubatuba entrou em decadência
e muitos produtores abandonaram ou destruíram
os canaviais. Os que ficaram passaram a cultivar apenas
o necessário para sua sobrevivência.
A situação
melhorou em 1808 com a abertura dos portos às
"nações amigas", pelo Príncipe-Regente
D. João VI (com o Brasil elevado à condição
de Reino Unido aos de Portugal e Algarves). A medida
beneficiou diretamente a Vila de Ubatuba: o café
passou a ser cultivado na região e, depois, em
todo o Vale do Paraíba, por um grande contingente
de escravos negros e, as transações comerciais
de importação e exportação
do ouro negro (o café) e de outras mercadorias
no porto ubatubano cresceram e enriqueceram cafeicultores,
comerciantes e tropeiros (que realizavam o transporte
de mercadorias valeparaibanas em mulas, através
da antiga Estrada Imperial, que ligava o Planalto à
Costa, até o Porto).
Ubatuba ocupou o primeiro
lugar na renda municipal do Estado e ganhou "status"
de capital. A riqueza se tomou visível em novas
construções como teatro, chafariz com
água encanada, mercado municipal e os grandes
casarões e sobrados da resplandecente elite ubatubense,
como o Sobradão de Manoel Baltazar da Cunha Fortes
(cafeicultor e comerciante), hoje sede da Fundart -
Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba.
Essa enriquecida Vila
de Ubatuba foi elevada à categoria de município
em 1855 e, em 1872, foi elevada ao status de Comarca
juntamente com a Vila de São José do Paraíba
(S. J. dos Campos). Datam desse período a construção
do Paço Nóbrega, atual Câmara Municipal,
e a Igreja Matriz.
Mudanças na política;
a construção da ferrovia Santos-Jundiaí
e, posteriormente, de outras; o deslocamento da produção
do café para as férteis e extensas terras
do Oeste Paulista, origem da decadência das cidades
do Vale do Paraíba (as quais, graças ao
escritor Monteiro Lobato ficaram conhecidas como "Cidades
Mortas") e, por fim, a Abolição da
Escravatura, provocaram uma irreversível mudança
na economia brasileira do final do Império e
início do Regime Republicano. Essas mudanças
na economia alcançaram Ubatuba deixando-a, também,
decadente. O Porto foi fechado, extinguiram-se fazendas
e ubatubenses deixaram suas terras. As estradas até
o Planalto e as plantações foram engolidas
pela mata atlântica. Prédios abandonados
acabaram em ruínas e desmoronaram.
De 1870 a 1932 Ubatuba
ficou isolada, suas terras desvalorizadas. Em 1940 Ubatuba
se resumia a 3.227 habitantes.
Em 1932, com o objetivo
de integrar a região cujo isolamento ficou patente
na Revolução Constitucionalista, o Governo
Paulista promoveu a reabertura da antiga Estrada Imperial
e melhorias que tornaram possível a passagem
de veículos. O Município passou a contar
com uma ligação permanente com o Vale
do Paraíba de onde vieram os primeiros turistas
reaquecendo a economia ubatubana.
No início da
década de 50, com a abertura da SP55: Ubatuba-Caraguatatuba,
itensifica-se o turismo e a especulação
imobiliária. Em 1967, Ubatuba foi elevada à
Estância Balneária. Aos poucos, Ubatuba
começou a desenvolver a sua vocação
turística que foi reconhecida no final da década
de 60 (Séc. XX) por Francisco Matarazzo Sobrinho,
um industrial e mecenas das artes de São Paulo
que foi eleito prefeito da Cidade, a reestruturou administrativamente
e efetuou muitas melhorias. Graças a Matarazzo,
Ubatuba ficou muito conhecido e recebeu um grande impulso
progressista com a construção da rodovia
BR-101 (Rio-Santos) em 1972.
O turismo é a
maior fonte de renda do Município de Ubatuba.
Atualmente, é desenvolvido o Turismo Ecológico-Arnbiental,
de Aventura e Cultural, pois Ubatuba possui um vasto
Patrimônio Natural e Histórico-Cultural:
fauna e flora da Mata Atlântica, mais de 80 praias
(Continente e Ilhas), cachoeiras, ruínas de antigas
fazendas (entre as primeiras do Brasil), antigas construções
no centro do Município, sua História e
sua Cultura Popular, além do Patrimônio
Humano: caiçaras quilombolas e índios
Guaranis.